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Mauricio de Sousa Produções

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Em 2015 o cartunista Mauricio de Sousa – criador da Turma da Mônica – completa 80 anos de idade. Para comemorar, a Sound on Sound visitou o estúdio de gravação da empresa, localizado no bairro da Lapa em São Paulo, e conversou com o produtor musical Marcelo Souza, sobrinho de Mauricio e filho de Márcio Araújo que criou mais de mil músicas para a Turma e serviu de inspiração para um dos personagens mais queridos, o Rolo.

Dicas de quem faz - Mauricio de Sousa - foto 1SOS: Marcelo, você começou a trabalhar aos 14 anos na Mauricio de Sousa junto com seu pai, que era o responsável pelo estúdio. Esta foi a sua primeira experiência no mercado de áudio profissional?

Marcelo: Na verdade comecei a trabalhar em estúdio com 13 anos, antes de trabalhar com meu pai. O estúdio era o Suíte do meu primo Ary Rogério e seu sócio na época, o Marcelo Rossi. Ali teve início a minha paixão pelo áudio. Lembro que o Ary me levou na AES em Nova Iorque e aí concretizou tudo! Depois comprei um Tascam de quatro canais – era de fita cassete ainda e comecei a gravar em casa. Fazia jingles e músicas em Caçapava, onde eu morava e cobrava bem barato ou quase não cobrava, só pelo prazer de estar gravando. Depois disso fui trabalhar com meu pai na Mauricio de Sousa Produções. Entre tapas e beijos, sobrevivemos!

SOS: O que você aprendeu com seu pai, que compôs mais de mil músicas para a Turma da Mônica?

Marcelo: “Vai no simples”, ele dizia! Acho que compor é um dom e isso não se aprende, mas era genial ver ele criando. Meu pai era muito rápido e eu até puxei um pouco isso dele, mas minha facilidade é mais de fazer música. A letra sai, mas ele era o cara pra isso! Já meu irmão Pedro, que também trabalha comigo, faz letras sensacionais. Na hora do fogo a gente tem que se virar nos 30!

SOS: Qual é o maior desafio de se trabalhar em uma empresa que tem uma essência familiar?

Marcelo: Eu acho que pra você trabalhar em uma empresa familiar você tem que deixar seu ego de lado, respeitar as opiniões. Tem que agir com mais profissionalismo até. Mas isso a gente tira de letra lá na MSP.

SOS: Qual é a participação do Mauricio de Sousa no departamento de som?

Marcelo: Ele sempre participa, quer ouvir tudo o que gravamos e dá palpites certeiros. Ele adora trilha cheia, percebe a diferença quando trocamos algum equipamento, gosta de fazer experiências. Gosto muito dessa troca.

SOS: Que tipo de trabalho vocês desenvolvem hoje?

Marcelo: Trilhas sonoras para peças de teatro, filmes, desenhos animados, vídeos de internet, shows corporativos, programas de TV, comerciais, dublagens e o que mais tiver que ser!

SOS: Qual é o volume de produção?

Marcelo: A gente tem gravação o tempo todo porque temos muitos produtos e quando a corda aperta chamamos nossos parceiros para nos ajudar.

SOS: E a equipe é bem enxuta, certo?

Marcelo: Sim, temos uma equipe muito enxuta, mas que vale por mil! Esse time vem com o Danilo Adriano, que me ajuda a fazer as trilhas e é o nosso maestro da casa; o Guto Câmara, nosso engenheiro de som que tenta arrumar nossa bagunça sonora; o Anderson Roger na produção do estúdio e foley; meu irmão João Boy faz o sound design, locuções, além de ser um músico de mão cheia; e, fechando o time, Deuzeni Vieira, que organiza e toma conta da produção executiva do estúdio.

SOS: Como é o processo de criação das trilhas?

Marcelo: Quando a gente recebe o material, eu sento com o Danilo e é uma química perfeita: as coisas vão saindo como se fosse uma brincadeira séria, mas divertida e quando a gente vê já foi. E o mais interessante é que eu vejo a música como um filme – ela passa como imagens. Aí fica até mais fácil criar.

SOS: Vocês procuram sempre fazer experiências sonoras, ousar. Dê um exemplo pra gente.

Marcelo: Teremos um espetáculo agora em abril, em que a gente fez uma releitura do tema do Cascão usando lata de lixo, balde, panela. Uma coisa parecida com o “Stomp”. O legal é que para esse som ficar real gravamos tudo fora do estúdio. Para microfonar usamos o Shure SM57, o Neumann U87, o AKG 414. O resultado ficou muito interessante e acabamos com as latas de lixo do andar! Gosto de sair das regras, às vezes, para procurar novos sons. Isso faz bem pra alma!

SOS: Quais são os plug-ins que vocês mais utilizam?

Marcelo: Hoje tem vários que eu uso, mas gosto muito dos plug-ins da Universal Audio. Tenho todos e uso muito. E agora os plug-ins da AURO3d que fazem a diferença pra esse tipo de mix.

SOS: Aliás, você gosta muito do som 3D, que é frequentemente utilizado em animações internacionais. Existe um projeto de usar 3D na Turma da Mônica?

Marcelo: Ainda não. Na verdade, estou estudando pra fazer isso no meu estúdio, que é o 9volts Sound Design. Vou me especializar em som 3D – estou até indo pra Los Angeles para ver como funciona isso de perto.

Dicas de quem faz - Mauricio de Sousa - foto 1

SOS: Você, além de ser o produtor musical da Mauricio de Sousa, é dublador do Louco, personagem criado pelo seu pai. Como vocês fazem a seleção dos dubladores?

Marcelo: Para as vozes, a gente faz uma seleção junto com os diretores de dublagem Marli Bortoleto e Paulo Cavalcante. Primeiro fazemos uma peneira que passa pela Marina Takeda, depois tem o aval final do Mauricio.

SOS: São os mesmos atores ao longo dos anos?

Marcelo: Se eu não me engano, muitos começaram no espetáculo que meu pai criou – o “Vem Brincar” – e dublam até hoje!

SOS: Quais são os microfones que vocês usam para gravar as vozes?

Marcelo: Usamos o AKG 414 e o U87 e o TLM 103 da Neumann. E os prés que usamos no estúdio são o Avalon 737, o 4-710d UA e o Manley 16x2.

SOS: Você é um apaixonado por música e até nas horas vagas compra games pra ouvir a trilha ao invés de jogar! Onde mais busca inspiração?

Marcelo: Gosto muito do áudio de hoje. Essa coisa de sensações, principalmente nos games! Não sei jogar muito bem, mas coloco o fone 7.1 e vou curtindo toda a mix. Às vezes não quero nem passar a fase porque a trilha e os efeitos são geniais. No cinema também tem muita coisa boa com essas mixagens 3D. E toda vez que tenho a oportunidade de ir a feiras de áudio ou fazer um curso, vou sem medo. Assim, consigo ter inspiração para criar novos projetos. No ano passado, por exemplo, fiz a direção musical de uma peça chamada “Piratas do Caramba” em que fiz a mixagem toda em 3D.

Agora estou fechando a produção do CD da Luanna Belini e vou finalizar as baterias em um estúdio em Los Angeles chamado FullOnDrums, especialistas em gravar batera. Meu irmão João Boy vai produzir e tocar bateria. Nas horas vagas, ou melhor, antes do galo cantar, crio jingles com meu outro parceiro com quem tenho uma química tremenda, o Milton Miné da Lógico Music. Enquanto eu levar a música como uma diversão e uma coisa leve na minha vida, o trabalho sempre vai ser gostoso e eu não vou ver nunca a hora passar. Bóra criar!

 

SOBRE A AUTORA
Simone Kliass é locutora membro do Clube da Voz, apresentadora e repórter em programas de TV aberta, por assinatura e corporativa. simonekliass.com